O risco

Se expor aos riscos da vida em sociedade exige coragem. O que exige ainda mais coragem, mas parece não envolver riscos, é a decisão de olhar mais para si, diminuindo o espaço de contato com os outros, se preservando e olhando com mais cuidado para os próprios interesses. Eu disse antes que esse tipo de atitude parece não envolver riscos. Só parece.

Quando nos dispomos a viver sem o vínculo direto com os outros, acabamos por entrar em um espaço perigoso, um lugar de descobertas e instabilidades: a nossa consciência. Viver só não significa apenas estar sem ninguém por perto (mas também pode ser, claro). Viver só é, acima de tudo, desenvolver a capacidade de entender o próprio tempo como algo inseparável de nós mesmos. Na maior parte do tempo, no convívio forçoso com os outros (na escola, no trabalho, no condomínio…), esquecemos desse tempo ou, se o consideramos, é apenas de maneira superficial.

Pode até parecer, mas essa não é uma reflexão contra a vida em sociedade. É, sim, uma reflexão sobre a necessidade de aceitarmos o risco de vivermos cada um consigo. Podemos viver com outras pessoas sabendo viver esse risco (acredito que a ideia de uma boa família é justamente essa: pessoas que vivem juntas mas ainda podem ser elas mesmas), assim como podemos viver cercados de muita gente e nos dedicarmos quase que exclusivamente a ser o que elas querem da gente. Não seja assim, não escolha o simples. Prefira o risco.

Gif criado por Toyoi Yuuta

Originally published at www.marcosramon.net on December 19, 2017.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.