O que ainda pode mudar?

Encarar a realidade do que jeito que ela é costuma ser difícil e desestimulante. Diante de um número gigantesco de possibilidades, por que cargas d’água as coisas tem que acontecer dessa forma? Por que não pode ser diferente?

Bem, é inútil mencionar que buscar uma resposta para essas questões só traz frustrações e nenhuma recompensa satisfatória. Mas se é assim, então por que nos incomodamos tanto com o modo como as coisas se sucedem? Não seria um mecanismo de defesa positivo esse tipo de conformismo com a realidade? Acho que sim, e é exatamente isso que ocorre com os outros animais. Contudo, por algum processo hoje inexplicável, alguns humanos passaram a seguir um caminho diferente — e o desejo de compreender, interpretar e transformar, gerou um processo quase incontrolável de intervenções no mundo. E, a despeito do número de falhas ser muito maior que os sucessos em qualquer área do saber, a verdade é que se nos conformássemos com nosso instinto natural de sobrevivência ninguém criaria nada.

Aliás, se você observar bem, o fato de existirem tantas pessoas que passam uma vida inteira sem se estimularem criativamente, sem refletir minimamente sobre suas existências e ansiosas pelas novidades mais recentes que as permitam esquecer de tudo o que as incomoda, é uma prova do ponto anterior. Não fomos programados para criar e intervir; fazemos isso à revelia da natureza e, por isso, exatamente por esse motivo, ser alguém que tem ideias é doloroso e angustiante. Daí o mecanismo de defesa que muitas pessoas adotam contra o conhecimento e a reflexão. E isso não pode mudar. O conflito entre a natureza e a razão só parece destino. Na verdade, é escolha.

Colagem criada por Julia Lillard
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